Burnout: a síndrome do esgotamento profissional
12.Apr

burnout e glam

Exaustão emocional, fadiga, impaciência, irritabilidade, estresse, falta de concentração, falhas de memória, decepção e baixa satisfação com as atividades do trabalho, além de insegurança a respeito de suas habilidades profissionais. Se você se identificou com estes sintomas, pode estar sofrendo com a síndrome de burnout. Cada vez mais frequente – uma pesquisa realizada pela sede brasileira da International Stress Management Association com mil profissionais identificou que 72% dos entrevistados sofriam com estresse, sendo que 30% deles apresentavam o Burnout – a síndrome, que inicialmente foi identificada em profissionais que lidam diretamente com o público, como médicos e professores, hoje pode afetar qualquer um: do alto executivo à dona de casa.

“Estresse todo mundo tem, em algum momento, e por vezes até com muita frequência. Mas é passageiro e não consome o pensamento em tempo integral. O indivíduo estressado com o trabalho mantém a capacidade de se desconectar, seja num final de semana ou nas férias, com a resolução do problema emergencial que gerava o estresse”, explica o psiquiatra Carlos Augusto Maranhão de Loyola. Mas quando estes sentimentos se prolongam e o ambiente de trabalho passa a acarretar uma série de problemas de saúde, como hipertensão, obesidade, distúrbios do sono e dores no corpo, é preciso ligar o sinal de alerta. “Quando a síndrome se instala, a pessoa apresenta sintomas de esgotamento mental e deixa de realizar atividades que saiam da rotina casa-trabalho. O indivíduo dorme mal, se alimenta mal e coloca a atividade física e os momentos de lazer de lado. A preocupação com trabalho se torna uma constante”, revela Loyola. Segundo o especialista, as vítimas do burnout ainda passam a duvidar de sua própria capacidade de solucionar problemas profissionais, sentem-se desassistidas e passam a um estado de indiferença emocional generalizada, tanto nas relações profissionais e pessoais – muitas inclusive podem desenvolver a dependência química, já que buscam em determinadas substâncias um canalizador para toda esta angústia.

Mas o que pode gerar a síndrome? Carga horária excessiva, funções extremamente burocráticas, pouca liberdade no exercício do trabalho, turnos irregulares, estrutura desorganizada da empresa e chefias que dão ordens ambivalentes são os gatilhos mais comuns para o adoecimento profissional. “Indivíduos com característica de personalidade perfeccionista, ansiosos, competitivos, narcisistas, pessoas que não medem esforços para se destacar, sempre com a intenção de manter um alto desempenho, também são mais propensos a ter a síndrome”. Segundo dados de 2016 da Previdência Social, mais de 75 mil trabalhadores foram afastados de suas funções no período em razão de quadros depressivos, como o burnout – até 2020, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão será a doença mais incapacitante do mundo.

O tratamento precisa objetivar uma mudança no estilo de vida, tanto no que diz respeito à relação do indivíduo com o trabalho, quanto aos padrões de sua personalidade que possam facilitar o desenvolvimento do burnout. “Isso pode ser conquistado por meio da psicoterapia e de uma reorganização de vida que leve o sujeito a controlar melhor a separação entre a entrega saudável e prejudicial ao trabalho. Entretanto, nos casos em que as alterações de humor ou a ansiedade sejam muito evidentes, pode ser necessária a prescrição de psicofármacos “, afirma o psiquiatra. A prevenção, no geral, se dá por hábitos de vida saudáveis – atividade física regular, alimentação saudável, sono adequado, separação de momentos para o lazer e trabalho. “Precisamos tomar as rédeas da rotina, saber colocar limites, não deixar de fazer aquilo que nos traz recompensa – seja um futebol para descontrair com os amigos, um final de semana desconectado do celular com a família ou tempo para brincar com os filhos”.

Fonte:

– Carlos Augusto Maranhão de Loyola – médico psiquiatra formado pela UFPR, pós-graduado em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo, em Terapia Cognitivo-comporamental pela Sociedade Paranaense de Psiquiatria e em Medicina Legal e Perícias Médicas pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e da Câmara Técnica de Psiquiatria do CRM-PR. Atua como médico psiquiatra e perito judicial psiquiatra e é também sócio e professor da EnsinoMed.

 

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